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Publicado: 24/04/2005

Entrevistas

Gilberto Mendes
E-mail: gilberto@ideologica.com.br
Publicado:  27/07/2008
Visitas: 3454
Vamos entrevistar desta vez, o empresário Gilberto Mendes, paulistano, 34 anos, Diretor da empresa Ideológica Informática (www.ideologica.com.br), e Diretor do site www.sistemasemaccess.com.br.
 
Empresário bem sucedido, confesso admirador do Access, Gilberto aceitou prontamente nosso convite para conversar com os amigos do AtivoAccess. Com vocês Gilberto Mendes:

AA: Gilberto, podemos começar falando da sua formação . Fale um pouco dos seus estudos.
GM: A minha formação é um zigue-zague de estudos (risos). Eu sempre estudei tecnologia por conta, iniciando lá atrás com a programação em Basic no MSX e depois com os clássicos dBase III plus e Clipper Summer´87. Fiz matemática na USP, depois fiz um curso de especialização e um MBA em marketing.

AA: E como começou com o Access?
GM: Logo no início do ambiente Windows existia uma certa disputa de qual seria a ferramenta de desenvolvimento que sucederia as linguagens para DOS. Havia um Dbase for Windows, o FoxPro, o Visual Objects, O Visual Basic, Delphi e o Access. Todos em versões preliminares, revolucionárias... e um tanto precárias (risos).
Comparando os programas, tive uma afinidade maior com o Access, mas nada de desenvolver profissionalmente, pois na época eu trabalhava como gerente de treinamento em uma empresa de consultoria. A imersão aconteceu mesmo quando tive de me preparar às pressas para um curso básico e avançado de access. Não há nada que nos leve a aprender melhor do que ter de ensinar algo. Você tem de conhecer para si mesmo e para os outros. Foi um sufoco, porque tinham situações como perguntas que eu não tinha a resposta de bate-pronto, mas como entrei em sala com uma atitude mais humilde, havia uma certa tolerância dos alunos, que me permitia realizar pesquisas entre uma aula e outra.
Depois disto, comecei a desenvolver algumas aplicações menores, como cadastros de clientes, estoques e algumas aplicações de cálculos para engenharia. E ao longo do tempo eu fui estudando as novas versões, me alternando entre alguns períodos em que atuei mais com treinamento e outros em que fiquei como desenvolvedor.

AA: E hoje? Como é sua relação com o Access?
GM: Até pouco tempo atrás eu tinha aquele discurso de “um dia eu paro com essa vida” (risos). Era mais comum eu receber indicações de clientes para desenvolver as aplicações do que fazer qualquer esforço de divulgação.
No início deste ano, no entanto, eu assumi o Access como minha ferramenta de desenvolvimento e comecei um trabalho de divulgação, através do site “Sistemas em Access”, escrevendo artigos sobre o assunto e criando padrões visuais e de programação mais estruturados (o tipo de coisa que todo programador se promete fazer – organizar e documentar a sua biblioteca de recursos – mas que raramente põe em prática).
Hoje me posiciono como um desenvolvedor profissional, especializado no produto e com um foco muito claro na direção de atender as necessidades do mercado corporativo.

AA: E tem mercado para atuar em Access?
GM: Tem, e muito. Se encararmos com clareza o posicionamento do Access como uma plataforma de soluções situada entre as aplicações excel e as aplicações corporativas, veremos um nicho de mercado imenso.

AA: Gilberto, você é proprietário do site www.sistemasemaccess.com.br, que segundo a apresentação na sessão “Quem somos nós” é uma iniciativa da Ideológica em resposta a uma grande demanda pelo desenvolvimento de aplicações em Access com um alto nível de qualidade desde a estruturação da aplicação até sua apresentação final. Voce acredita que atingiu o objetivo proposto? Por quê?
GM: Esta é uma pergunta complexa, que pode ser encaradas de vários ângulos: do ponto de vista comercial, acredito que sim, já tínhamos clientes de nome e peso atendidos, e o site com sua proposta focada no mercado corporativo já atraiu três grandes empresas, das quais duas assinaram contratos conosco.
Tecnicamente, estamos satisfeitos com o repertório de soluções e componentes que desenvolvemos, que segue em processo contínuo de melhoria e documentação.
De um ponto de vista de estrutura, entretanto, ainda falta muito a caminhar. Minha meta é criar uma estrutura celular com dois programadores, e pessoa para análise, revisão e documentação de aplicações, além de consultores associados que, depois de conhecer os nossos padrões e assinar um contrato de confidencialidade, possam atuar alocados em projetos de nossos clientes. Hoje somos apenas duas pessoas se alternando em todos os papéis. Não deixa de ser divertida a parceria com o Allan Neros, mas quero caminhar para uma estrutura com um pouco mais de especialização, que evite o esgotamento e o stress da equipe.
E neste sentido, enfrento uma dificuldade de encontrar pessoas dispostas a encarar este desafio, reflexo de uma dificuldade mais ampla de se encontrar bons técnicos. Além disto, há um ciclo vicioso a ser rompido: o volume de projetos dificulta o treinamento de novas pessoas, que dificulta a delegação, que dificulta o treinamento.
Então, tentando conciliar estes aspectos, estamos caminhando de forma orgânica neste crescimento. E no momento não temos interesse (ou capital) para investir na contratação e treinamento de programadores antes de um certo ponto de maturidade do negócio. Fazer isto antes de ter um faturamento garantido é assumir um risco muito grande.

AA: Você publicou alguns artigos sobre este assunto e outros, e disponibilizou uma aplicação aberta em seu site. Não estaria assim estimulando uma concorrência?
GM: Não vejo problemas em divulgar estas informações. Pelo contrário, acho que é preciso criar condições para um amadurecimento técnico e profissional dos profissionais que desenvolvem em Access. Acho que a medida que criamos uma comunidade maior e mais integrada, conforme temos mais aplicações de qualidade, colaboramos com o amadurecimento do mercado consumidor. Os empresários e os profissionais de outras áreas terão uma segurança e respeito maior pelo Access, pouco a pouco despertando essa demanda reprimida.
Eu atualmente só não compartilho a três coisas: o padrão visual das aplicações, a minha biblioteca de ícones (que foi comprada) e a minha biblioteca de funções. Esta última eu penso em publicar em um livro ou kit de desenvolvimento, ou usar como um material para treinamentos avançados.

AA: Esta história de livro é uma novidade. Pode falar mais?
GM: Escrever sobre Access é um desejo antigo. Escrevi uma apostila de modelagem para access 95 que até hoje pode ser encontrada para downloads em diversos sites, a partir daí comecei a escrever um livro. Mas é uma tarefa muito grande: planejei um livro de 300 a 400 páginas. Depois de escrever as primeiras 100, a minha projeção tinha saltado para cerca de 800 páginas. E como não dava para parar tudo, acabei deixando a idéia de lado.
Agora é um pouco diferente. Estou escrevendo um guia para uso interno, onde documento os padrões e as boas práticas de elaboração de sistemas. É a reunião de todos os insights e decisões para servir como referência e disciplina de desenvolvimento.
Mas publicar este material ainda é uma idéia em gestação. Tanto pela falta de tempo quanto pela chegada da versão 2007 do Access.

AA: Falando na versão 2007, o que você achou?
GM: Ainda estou na fase das primeiras impressões. O pacote office como um todo causou estranheza a muita gente. Adorei as versões do word, excel e powerpoint, que finalmente trouxeram modelos e ferramentas mais adequadas para elaborar documentos com uma estética moderna e agradável. Mas no que diz respeito ao Access, há muito o que aprender.
O principal concorrente do Access é sua versão anterior. Eu comecei com a versão 1.0, mas o access tornou-se a ferramenta de desenvolvimento excepcional que é na versão 2. Eu saltei a versão 95 e usei a 97, depois saltei a 2000 para usar o 2002 e 2003. Não sei se será possivel saltar a versão 2007, a menos que eu veja sinais no horizonte de um Office 2009. E de qualquer forma, percebo uma adoção ainda tímida do 2007 nas empresas em que atuo.
Vejo no 2007 uma orientação ainda maior para o access como ferramenta baseada em wizzards/assistentes, para que o usuário possa sair montando seus bancos de dados com pouca ou nenhuma programação e certa integração com os aplicativos do Office e com o SharePoint e SQL Server.
Achei o ambiente do access um tanto desconfortável para desenvolvimento. O Ribbon ocupa muito espaço e levou um tempo para descobrir como desativá-lo. A janela de banco de dados foi substituida por um painel lateral e estrutura de guias que dificulta o acesso aos objetos para quem estava acostumado com as versões anteriores.
Mas é uma questão de adaptação. Acredito que seja possível desenvolver no Access 2007 com a metodologia usada hoje no 2003. Mas é fundamental dedicar um tempo para conhecer e aproveitar os novos recursos nos projetos onde seja possível usar a versão 2007.
AA: Como você vê o futuro do Access, considerando as tendências de tecnologia?
GM: É algo dificil prever o futuro do access. Já surgiram boatos do seu desaparecimento ou do fim do jet engine, e estamos vivendo um momento efervescente na tecnologia.
Mas se é dificil enxergar o futuro, temos algumas pistas. E todas elas apontam para mudanças profundas no modo de desenvolver.
Uma delas, que nem é uma tendência, mas uma realidade, é a Internet e as aplicações para ambiente web. Tudo segue nesta direção, e todos nós precisaremos nos adaptar ao desenvolvimento com um olho na web. O que sinto falta é de uma iniciativa corajosa de criar um ambiente de desenvolvimento RAD com a produtividade do Access. Mas talvez seja nostalgia de minha parte querer um access para web quando existem ferramentas poderosas como o Flash, Flex e Coldfusion da Adobe e toda a plataforma .Net, mas eu realmente tenho dúvidas se vou conseguir escrever dezenas de linhas de código para colocar um formulário para rodar.
Uma tendência mais recente é uma iminente mudança na computação pessoal. Os notebooks já são mais vendidos que os desktops e aparelhos como o iPhone se popularizando, pesquisas de uso multitoque de telas devem em breve produzir uma revolução no modo de usar a tecnologia e consequentemente na nossa forma de trabalhar com desenvolvimento.

AA: E como estas tendências afetam a situação de quem desenvolve em Access?
GM: Acho qe teremos muito trabalho garantido pela próxima década, pois os bancos de dados e planilha têm sua existência assegurada por muito tempo. Mas não dá pra relaxar: é preciso ficar ligado no mercado. Acho que é questão de tempo, com o aumento na velocidade da internet e sofisticação das aplicações, para surgir a próxima geração de ferramentas de desenvolvimento.

AA: Fale um pouco da sua empresa.
GM: O nome de minha empresa é Ideológica. Fundei ela com um sócio e primo, Vagner Mendes, a cerca de 13 anos atrás. Na época nós trabalhavamos como consultores em treinamento e desenvolvimento. Mas as consultorias tinham uma forma muito mecanizada de tratar os profissionais... essa coisa de nos chamar de “recursos” e de impor condições de trabalho ruins, de muita pressão e pouco reconhecimento, nos levou a querer montar o nosso próprio empreendimento, baseado muito mais no respeito e na qualidade de vida – nossa e de todos que trabalham conosco.
Nosso foco atual é o desenvolvimento e distribuição de produtos. Sistemas com um certo nivel de padronização que são implantados e configurados em vários clientes, que pagam uma taxa mensal de uso.

AA: E isto funciona?
GM: Funciona, mas leva um bom tempo até o amadurecimento da ferramenta e do estabelecimento de uma base de clientes. As grandes vantagens de se ter produtos são a possibilidade de praticar um marketing de verdade, de deslocar o foco da venda e do desenvolvimento para o relacionamento e, principalmente, garantir um faturamento mensal mais estável.

AA: E como o Access se encaixa nesta estratégia?
GM: O Access é quase uma teimosia, ou uma terapia ocupacional (risos). Na verdade, encaramos o access como uma forma de complementar o faturamento da empresa. De um lado, é uma curtição o trabalho criativo que o Access me proporciona: trazer resultados rápidos e eficientes. Por outro lado, o faturamento desta área vêm crescendo de forma consistente, representando hoje praticamente 20% do faturamento da Ideológica.
O nosso grande desafio hoje é encontrar profissionais que possam atuar como consultores ou programadores na ideológica.

AA: Você lançou uma wikipédia de access, a rede access, que saiu do ar recentemente. O que houve?
GM: Queria criar um lugar onde os desenvolvedores pudessem armazenar as suas soluções e rotinas, onde outros pudessem aprender e até mesmo aperfeiçoar, criando assim uma biblioteca coletiva de informações e artigos, quem sabe padrões que pudessem ser utilizados por vários programadores, facilitando assim o trabalho conjunto.
Mas este foi o caso de uma idéia que não pegou. Depois de alguns meses no ar, não haviam colaborações ou nenhum incentivo por parte da comunidade. Acho que estão todos muito ocupados virando noites com seus projetos (risos). E como já tenho o site dos sistemas em Access como local para divulgar artigos e informações, desativei o site, guardando a idéia para um momento favorável.

AA: Quais são os planos para o futuro?
GM: Me aposentar aos 40 e viajar o mundo (risos).
No curto prazo, quero estruturar algo como “o time de ouro” do Access. Uma estrutura que consiga tocar projetos com grande eficiência. Em paralelo, quero investir algumas aplicações “Genéricas” para atender a necessidades bem específicas de mercados verticais, como já faço com um sistema para expansão de redes de franquias, um de Inteligência Competitiva e com um sistema de CRM / Marketing Viral. Estas hoje são vendidas e implantadas pelo boca-a-boca.

AA: Nesse ponto agradecemos a sua entrevista e como é nosso costume abrimos espaço para sua mensagem aos nossos leitores.
GM: Bom, *aham*, *aham*.... Programadores Access: uni-vos! (risos)
Meio na brincadeira, meio sério, gostaria que as pessoas que usam Access pudessem despertar para uma nova forma de atuar. Uma forma que não fosse meramente mais profissional, consistente, documentada ou baseada em processos. Acho que falta um pouco mais de união e generosidade, como a filosofia open source vai mostrando.
Se cada um de nós cria as suas funções secretas, elas morrem com a gente quando deixamos o projeto ou mudamos de área. Isto é um desperdício, fruto de um receio antigo de que um espertalhão vai usar o seu trabalho para ganhar dinheiro. Isto certamente vai acontecer, porque ainda é comum no Brasil a Lei de Gerson, a lei do mais esperto, para o prejuízo do coletivo.
Se o fruto do nosso trabalho torna as empresas mais eficientes, mesmo que não sejamos remunerados diretamente em todas estas situações, há um aspecto que beneficia a todos, que é o crescimento da sociedade, um ganho coletivo.
Se há mais pessoas desenvolvendo profissionalmente em Access, isto não vai reduzir o volume de trabalho disponível para nós. Pelo contrário, serão mais pessoas sendo influenciadas para depositar no Access a confiança de administrar suas informações, que ao longo do tempo vai trazer oportunidades de manutenção e melhoria de sistemas.
E já que estou em clima de discurso, aproveito para assumir o compromisso de aos poucos publicar as boas práticas que eu observar ou criar, como já tenho feio com os artigos sobre design e carreira.
Quero parabenizar o AtivoAccess pelo importante trabalho de divulgação e defesa da ferramenta, assim como os demais sites e Fóruns de discussões da web. Existe uma importante rede de apoio mútuo, que só precisa de um incentivo para começar a realiza criações coletivas.
Talvez eu tenha soado aqui um pouco exagerado, quase Épico, mas eu sou assim mesmo, gosto muito do Access e fico entusiasmado sempre que penso no potencial que as pessoas passam a ter quando o utilizam.

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