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Publicado: 05/02/2004

Entrevistas

Entrevista simultânea: três desenvolvedores de estados brasileiros diferentes
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Publicado:  27/09/2005
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Entrevista simultânea: três desenvolvedores de estados brasileiros diferentes:

Angelo Roberto Radaeli (Angelo) Colatina – ES – Site: http://www.praticsis.com.br/
Aneglo
Regis Fernandes Silva (Regis) Teresina – PI – Site: http://www.procampus.com.br/lousa/
Regis
Nelson Almeida de Sousa (Nelson) Muriaé – MG – Site: em desenvolvimento.
Nelson


AA: Vamos começar pedindo a cada entrevistado para que se apresente incluindo nessa apresentação sua cidade e estado, breve histórico da formação profissional e principais atividades que executa.

Angelo: Sou um brasileiro de Colatina-ES, casado há 11 anos com a Neia. Eu sou feliz. Tenho uma empresa de desenvolvimento de software e assessoramento em informática. Acredito que sem o estudo dos Help dos programas, a Internet (com a participação em fóruns e grupos de discussão) não teria sucesso no meu aprendizado. Toda minha formação é por experimento autodidata, sempre tento fazer um curso do que já estou utilizando ou quero utilizar. Minha graduação escolar é em Contabilidade e Administração de Empresas. Trabalho desde meus 12 anos quando montei uma empresa, que fazia e vendia picolé com o dinheiro que ganhei comprei umas matrizes de codornas (aves), vendia ovos. Como gosto de descobrir e criar, me empreguei aos 16 anos em uma empresa de manutenção elétrica onde me especializei em comandos elétricos e cálculos de motores e transformadores de alta tensão, com a transformação e integração da eletrônica com a elétrica no processo de aprendizado conheci a informática em um curso de eletrônica, na ocasião a empresa comprou um “Cobra”, para aprendermos a consertar. Eu queria mais e me dediquei a fazer um programa de cálculos na minha área de atuação em Cobol (este é usado até hoje pela empresa). Não foi fácil, pois quem sabia não ensinava, e não havia cursos no meu Estado e os livros eram uma fortuna. Isso me fez desistir por um tempo, meu maior avanço foi com o aparecimento das linguagens Orientadas a Objeto e o Access que conheço desde a versão 2.0, meus clientes já queriam usar sistemas visuais, então tentei várias linguagens, depois de lutar bastante com o preconceito de usar uma ferramenta que o cliente também pudesse usar adotei e defendo o uso da ferramenta Access, pois sua praticidade, velocidade de desenvolvimento e inúmeros outros benefícios fazem um diferencial difícil de ser igualado. Em 1995 me dediquei exclusivamente a esta atividade e como já estava em plena atividade com alguns clientes, registrei a Pratic Sistemas. Que hoje desenvolve Sistemas Desktop e Sistemas Web. Com foco em Supermercados, Distribuidor Atacadista, Indústria, Área Médica, etc. Temos outros sistemas, mas nossa vocação é trabalhar com empresas de sistemas personalizados e de porte maior.

Regis: Meu nome é Regis Fernandes Silva, sou de Guaratinguetá – SP faz 18 anos que resido em Teresina – Pi, sou autodidata em informática e tive meu primeiro microcomputador aos 16 anos em 1986, um CP 200 da PROLÓGICA. Trabalho com programação e banco de dados desde 1992. Atualmente presto serviços de assessoria, análise e programação para escolas.

Nelson: Meu nome é Nelson Almeida de Sousa, sou Advogado e possuo uma indústria de confecções em Muriaé - MG. Atualmente estou cursando Sistemas de Informação (3º ano) na Faculdade de Minas. Muitos devem se perguntar o que é que um Advogado tem na cabeça pra fazer um curso de Sistemas de Informação, eu sempre respondi com uma pergunta: "Como é que a gente foge de uma paixão?" Não tem saída, ou você se entrega a ela ou não vive, correto? A minha principal atividade no momento é mesmo a confecção e o desenvolvimento de sistemas, os dois é que pagam o mercadinho no fim do mês.


AA: Fale um pouco sobre os aplicativos de sua autoria e aquele que você considera o carro chefe de seus desenvolvimentos. O que você usa como ferramental para desenvolvimento?

Angelo: Hoje uso Access 97 / 2003 (VBA), VB.net, Asp e C#, SqlServer. Gosto de soluções práticas, simples, mas confiáveis. Por isso até hoje me emociono com cadastros, contas a pagar e receber, caixa. Detenho-me em observar operadores lançando pilhas de cheques, é sim o meu melhor. Os sistemas que funcionam anos a fio sem problemas e devido a uma modelagem feita com especial atenção não ter necessidades de inúmeros remendos. Fico feliz em constatar que há empresas que estão tão integradas ao sistema que elas não se imaginam sem eles. Meu carro chefe é a satisfação em usarem os produtos que desenvolvo.

Regis: Já desenvolvi diversos aplicativos em diversas linguagens: BASIC, ASSEMBLER, COBOL, PASCAL, DBASE, CLIPPER, FOXBASE, VISUAL BASIC. Comecei fazendo jogos, depois parti para a área comercial desenvolvendo sistemas do tipo controle de estoque, contas a pagar e à receber, controle de cheques, controle e emissão de laudos clínicos, mala direta, etc. Com a experiência adquirida vi que tinha que me dedicar a uma área específica e escolhi a área escolar. Hoje trabalho somente no sistema LOUSA, o qual é desenvolvido em Visual Basic 6.

Nelson: Na realidade eu não tenho muitos sistemas desenvolvidos. Pra dizer a verdade o sistema que comercializo é o SGE – Methodus com o qual busquei cercar todas as atividades que uma indústria de confecções pode exercer. Como eu trabalho com confecções, o SGE - Methodus, é voltado para esse setor, com ele o usuário consegue controlar todas as etapas de produção até a comercialização do produto final. Contudo, como eu sempre gostei de programar de forma genérica, ou seja, produzir um software que se adapte às necessidades do usuário, resolvi dividir o SGE em módulos. Com isso ele tem sido bastante instalado em lojas aqui da região e também em indústrias de outros ramos que não o de confecção. Estou trabalhando também, e devo lançar até Outubro, num programa voltado para o setor agropecuário, o SGA. A idéia inicial veio do Mestre Amaral, que seria um programa que controlasse todo o manejo de animais e produtos agrícolas de uma propriedade rural. Seria uma espécie de rastreamento de tudo o que aconteceu na vida do animal, desde a primeira vacina até a venda. Da mesma forma com os produtos agrícolas, todos os defensivos e tratamentos aplicados desde o plantio até a colheita. Estou desenvolvendo também um sistema para controle de revenda de Gás e Água, este sim, já é um programa específico para a empresa de um amigo da cidade de Viçosa - MG. Em todos os sistemas eu utilizo o Access como ferramenta de programação. A única exceção é um sistema para emissão de cupom fiscal que devo lançar por esses dias, e, vou vendê-lo com o código fonte e tudo.


AA: Qual o livro que você leu e o curso que você fez que foram fundamentais na sua formação de Desenvolvedor?

Angelo: Acredito que a todo instante podemos aprender algo de novo, por isso sempre estou tentando aprender mais. Cito alguns dos muitos livros e cursos: Os Livros 6 volumes de Operação Cavalo de Tróia de Juan Jose Benitez em minha geração todos que gostavam de ler leram estes livros e não preciso entrar no mérito do livro mas eles me fizeram pensar. O curso que me marcou foi uma pequena formação de 3 dias realizada pela UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) denominada “Lógica na Pratica”, três professores de matemática brincaram com nosso cérebro e nos fizeram pensar, pensar e pensar em soluções simples para o que fazemos no dia-a-dia. Saí de lá apaixonado por simplificar problemas, e com uma idéia na cabeça, meus sistemas tinham que ser mais simples e mais práticos e até hoje persigo esta meta.

Regis: Como sou autodidata não fiz curso, apenas li muitos livros dentre eles destacaram-se:
1) Antonio Geraldo da Rocha Vidal - Clipper Summer 87 Vol. 1 e Vol. 2
2) Usando Especial Visual Basic 6 – Brian Siler e Jeff Spotts

Nelson: Meu livro de cabeceira, apesar de não ser especificamente de Access, é a Bíblia do VB6. Este livro me ajudou muito a entender o funcionamento de muita coisa no VBA e VB. Não posso deixar de citar o HELP do Access, essa sim é a melhor apostila que existe pra quem deseja programar em Access/VBA.


AA: Como você define a atuação do segmento de mercado tomador de serviços de desenvolvimento de sistemas na sua região?

Angelo: Acredito ter muito mercado para ser explorado, o mercado das tecnologias é bastante jovem. Os tomadores de serviços não têm o conhecimento ideal e ainda vêem com desconfiança o investimento em informática.

Hoje travamos uma batalha de convencimento: que a Internet disponível é indispensável; bons equipamentos e para todos os operadores; tudo pode ser informatizado e por aí vai. O cliente antes de adquirir serviços quer uma consultoria, e de graça. E só depois de sugar toda a assessoria que necessita é que podemos nos dedicar ao software. E por ser uma ferramenta que não se pode colocar a mão, o administrador não entende e acha que é tudo igual. Por este motivo que hoje tenho como foco os clientes maiores, pois de uma forma ou de outra, já passaram por esta etapa e estão em busca de ferramentas que solucionem seu problema. Uma característica do mercado que atuo, é o sistema local e personalizado isso se deve aos desenvolvedores que se respeitam, propagando a valorização, as soluções locais. Está união se apresenta pela ADNES – Associação de Programadores do Norte do Espírito Santo, da qual sou o Presidente.

Regis: Aqui em Teresina não existe nenhuma grande empresa de desenvolvimento de softwares, normalmente as empresas de informática representam alguma empresa desenvolvedora de outro estado.

Nelson: Esse já é um assunto "amargo" para os programadores aqui da região. O empresariado mineiro, com algumas exceções é claro, não gosta muito de investir na área. Eu mesmo, por várias vezes, ao dar um orçamento para um cliente, já tive como resposta: "Mas o sistema X só custa..." Mal sabe ele que o sistema X é um pacote fechado, sem direito a adaptações nenhuma, ou melhor, sua empresa é que vai ter que se adaptar ao sistema, e não o sistema se adaptar a empresa. Isto, na grande maioria das vezes, leva o empresário a ter experiências negativas com sistema que acabam sendo deixados de lado. Agora a pergunta: Não seria melhor investir um pouco mais no início e ter um produto perfeitamente adaptado, ou com possibilidades de adaptação, às suas necessidades?


AA: Vamos falar um pouco sobre o MS-Access: afinal o Access é ou não é uma boa ferramenta para desenvolvimento de sistemas? Quais as suas virtudes e pecados?

Angelo: Sim o Access é uma boa ferramenta para desenvolvimento de Sistemas, e eu confiável e recomendo, não conheço ferramentas comparáveis ao Access, levando em conta desenvolvimento de um aplicativo. Sei que o Access tem limitações, mas são minúsculas diante dos diversos benefícios que ele me apresenta. E o Access (VBA) é linguagem que eu domino!

Regis: Eu desenvolvo meu sistema em Visual Basic, utilizando a base de dados Access. Somente fiz pequenas aplicações em MS-Access e não tenho como apontar seus pecados, pois para o propósito que eu tinha ele atendeu perfeitamente.

Nelson: Pra um cara que usa o Access em todos os seus sistema a resposta só pode ser uma: "o Access é excelente". É claro que como toda ferramenta ele tem suas limitações e inconvenientes, tais como a capacidade de armazenamento, a diferenças entre as versões que exige que exige a distribuição do sistema na versão do cliente e a falta de um executável, seriam estes os principais pecados do Access. Contudo, como virtudes, eu poderia citar a grande produtividade, uma rotina feita em Access pode ser concluída muito mais rapidamente que com outra linguagem de programação. Há também a questão do preço, o Access, se não é a mais barata é uma delas, se compararmos com outras ferramentas existentes no mercado.


AA: Uma aplicação desenvolvida em Access deve ser migrada para outras linguagens tipo VB, Delphi, etc? Até que ponto deve-se manter a aplicação na sua linguagem original, isto é, em Access?

Angelo: Eu estou convencido que usando ADO, Access associado ao sqlserver e após os projetos ADP não é necessário migrar sistemas em Access para uma outra linguagem Desktop. Hoje estou sim criando alternativas para usar o mesmo banco de dados na Web. Há sistemas que por imposição devem ser usados e desenvolvidos para serem utilizados em outra plataforma ou SO.

Regis: De um modo geral você deve mudar de linguagem a partir do momento que ela começa a impedir ou restringir sua criatividade. Já vi muitos programadores ficarem discutindo que o Visual Basic é o melhor que o Delphi e vice-versa, eu já programei nas duas linguagens e em tecnicamente não encontrei nada que desmereça qualquer uma das duas, apenas é uma questão de afinidade com a linguagem BASIC ou PASCAL.

Nelson: Dever? Não, acho que não. Mas depende muito da necessidade do cliente e da legislação local como é o caso de um programa para emissão de Cupom Fiscal. Aqui em Minas, por exemplo, para que um programa emissor de Cupom Fiscal seja homologado ele deve ser um EXE ou executável, o que com o Access não conseguimos. Nas demais aplicações Front-End não vejo onde o Access fica a dever a outras linguagens. A limitação existe, mas quando falamos em Back-End, o Access usado como base de dados.


AA: Uma questão muito levantada pelos usuários do Access é como de determinar o valor de uma aplicação: tanto aquela aplicação personalizada e desenvolvida sob medida para um cliente, quanto às outras aplicações que podem atender vários clientes simultaneamente?

Angelo: Cada pessoa ou empresa tem uma realidade diferente o que posso dizer é de como eu crio minha política de remuneração. Eu faço um levantamento que considera os custos fixos e variáveis, e o valor do desenvolvimento, depois acrescenta o lucro. Tenho um custo e o valor minuto da minha empresa. Sugiro que procure o Sebrae que tem consultores e cursos que abordam este tema e são de graça ou com valores baixos.

Regis: Os critérios que uso para a formação de preço são os seguintes:
1) CONCORRÊNCIA: Analise os programas concorrentes ou similares, verifique o preço do que mais se aproxima das necessidades do seu cliente.
2) CLIENTE: Converse muito com o seu cliente antes de formar o preço, verifique o quanto ele está disposto a investir no sistema e o quanto o sistema é importante para ele.
3) CUSTOS: Faça uma planilha com custos envolvidos no desenvolvimento do sistema.

Nelson: Aqui na região a grande maioria dos programadores trabalha com a chamada "manutenção". O cliente paga mensalmente um valor e pode ter a mudança ou atualização que quiser no sistema. Todos nós temos um "Sistema Base" que pode ser instalado em qualquer empresa e que, mais tarde, devido aos pedidos de adaptações, acaba sendo personalizado ou adequado às necessidades de cada cliente. Geralmente cobramos de meio a um salário mínimo dependendo da quantidade de máquinas na rede, da quantidade de filiais (sistema multi-empresa) e das solicitações de mudanças. É claro que se o cliente deseja o sistema sem o pagamento da manutenção, nós o vendemos.


AA: O que é necessário para uma pessoa se tornar um desenvolvedor de sistemas competente?

Angelo: Gosto de disser: “A melhor linguagem, o melhor BD, é aquele que o programador domina!”. Por isso para se tornar competente estude e domine as ferramentas que deseja usar. Não seja arrogante: quem tem a melhor solução para o problema é o operador do sistema, dê atenção ao operador.

Regis:
1) Muitas horas (muitas mesmo) na frente do micro, pesquisando, procurando sempre se superar;
2) Ler bons livros;
3) Lançar-se a novos desafios;
4) Analisar os programas de outros programadores;
5) Ouvir dos usuários o que eles tem a dizer dos programas alheios e dos seus;
6) Não se recusar a aprender novas tecnologias.

Nelson: Leitura. Tem que ler muito, pesquisar muito, deixar a preguiça de lado. Um bom conselho também é deixar os assistentes de lado, procurar fazer o máximo possível sem recorrer a eles, se a coisa apertar, aí sim, usar o assistente, mas sem esquecer de estudar detalhadamente o que ele fez por você.


AA: O que você considera fundamental para um bom sistema?

Angelo: O sistema deve atender as expectativas de controle do cliente. O sistema não precisa ser o melhor e com mais recursos, precisa sim ter os recursos que atendam as necessidades do cliente neste momento.

Regis: Padronização, tanto no código fonte para agilizar a manutenção quanto na interface para facilitar a utilização.

Nelson: Capacidade de adaptação. Como eu disse acima, não é o usuário que deve se adaptar ao sistema, mas sim o sistema deve se adaptar às necessidades do usuário. Também o Analista/Programador deve se inteirar de todo o funcionamento da empresa, pesquisando, perguntando e entendendo o funcionamento dos diversos setores da mesma. Com isso conseguimos entregar um sistema que atenda a todas as necessidades do cliente.


AA: É necessário registrar um sistema antes de comercializá-lo? Como isso funciona?

Angelo: Geralmente quem inicia não tem grana nem para o ônibus. Acredito que a criação de uma empresa é importante, já o registro do nome dos sistemas e tudo mais, fica de acordo com sua realidade. Eu tenho registro de marca e do nome usado pelos meus sistemas, essa é minha realidade.

Regis: Pelo que sei não é necessário registrar o software, você como detentor das fontes já se torna o proprietário. O problema é se suas fontes caírem nas mãos de terceiros, ficará difícil você provar que foi você quem o desenvolveu.

Nelson: Recentemente eu escrevi algumas linhas para o AtivoAccess, falando sobre esse assunto. O programador que comercializa seu sistema feito com ferramentas não registradas pode estar construindo sua casa na areia. É bom evitar problemas futuros e trabalhar com uma ferramenta registrada. No caso do Access, ele é muito barato para não ser registrado. Basta se adquirir o pacote que dá direito a distribuição e trabalhar tranqüilo daí pra frente.


AA: E sistemas que envolvem emissão de documentos fiscais? Quais as exigências que o Desenvolvedor deve atender e quais os cuidados que deve tomar?

Angelo: Os sistemas de emissão de documentos fiscais por meio do ECF são regidos por Leis, as Secretarias tem coletores responsáveis por este setor, acredito que procurá-los é o caminho mais rápido para ser informado do que é necessário para se adequar. Quanto a integração a impressora as empresas que vendem impressoras mantêm equipe de apoio que podem ajudar prontamente. Um cuidado a se tomar, “Não seja parceiro da sonegação!”.


Regis:
1) Certificar-se de que a impressora fiscal está devidamente homologada e registrada pela secretaria da fazenda do seu estado.
2) Guardar num arquivo de LOG todos os comando enviados e recebidos pela impressora, registrando a data e hora. Isso eliminará possíveis dúvidas durante uma auditoria na empresa.

Nelson: Eu sempre programo atendendo as exigências fiscais, tanto que o SGE possui quase todos os relatórios fiscais exigidos pela Fazenda de Minas Gerais. Formas de burlar a emissão de notas fiscais, alterando preços ou quantidades o SGE não possui. Contudo como o sistema é multi-empresa o usuário pode usá-lo de várias formas e em várias empresas.


AA: Quais as dicas que você pode dar para quem está iniciando no campo do desenvolvimento?

Angelo:
- Pense! Não vá sentando no computador e criando tabelas, telas... Pense isso te poupa tempo, use a modelagem como ferramenta para pensar.
- Estude a ferramenta que vai usar.
- Escolha um foco, um ramo de atividade, não saia atirando para todos os lados.
- Procure conhecer o mundo, o ambiente, que a solução será usada.
- Faça um cronograma de atividades.
- Cobre por seus serviços.
- Crie laços de parceria.
- Seja ousado. Nunca desista.

Regis:
1) Leia bons livros e pesquise muito na Internet;
2) Não desista, se alguém já fez você é perfeitamente capaz de fazer também;
3) Pense sempre no geral e depois no específico;
4) Dedique muito tempo dimensionando a sua base de dados esse é o ponto mais crítico de um sistema.

Nelson: Estudar muito, ser curioso, buscar entender o funcionamento de todos os processos que o sistema executa, mesmo das rotinas que se conseguem com amigos e na net. Evite usar Macros e usar assistente, dê sempre preferência ao código VBA.


AA: Quanto à negociação com os clientes e as formas possíveis de contrato: é melhor a venda de uma cópia do sistema ou o aluguel?

Angelo: Eu utilizei várias formas de comercialização, e o mais importante é definir para que publico alvo são desenvolvidos nossos sistemas. Hoje boa parte de nossos clientes precisa de um acompanhamento contínuo, por isso usamos o sistema de aluguel. Mas temos clientes que compraram seus sistemas.

Regis: Isso varia de cliente para cliente, mas de um modo geral podemos dizer que para o programador a melhor forma é o aluguel, pois dessa forma todo fim de mês entra capital e fica mais fácil gerenciar os gastos e programar os investimentos. Já para o cliente a melhor forma é a venda, pois não cria nenhum vínculo com o programador.

Nelson: Numa negociação os dois lados têm que ficar satisfeitos. Não adianta o programador fechar um contrato de aluguel, mais vantajoso para ele, e o cliente todo mês quando for efetuar o pagamento o fizer reclamando que está muito caro, etc. A venda da cópia (pacote fechado) pode não ser um bom negócio também, pois o pacote pode não atender a todas as necessidades do cliente. Pode-se pensar num meio termo também, ou seja, o pagamento de aluguel até que o sistema esteja pronto e só então efetuar a venda do sistema. Tudo vai depender das necessidades das duas partes, o certo é sentar e conversar para que todos fiquem satisfeitos.


AA: Você desenvolve um sistema personalizado a pedido de um cliente. Depois de pronto de quem é a propriedade do sistema? Você pode vender esse sistema a outros clientes, até mesmo concorrente do seu cliente?

Angelo: Prefiro dizer ao cliente que desenvolvo sistemas que podem ser personalizados à necessidade do mesmo. Assim o cliente sabe que estou desenvolvendo um sistema com características que ajudam e solucionam seus problemas de controle de suas atividades. A grande maioria dos sistemas que desenvolvi e desenvolvo são da Pratic Sistemas, assim posso fazer deles o que bem entender, vender, doar, emprestar, alugar para quem eu quiser. Digo quase todos, pois tenho sistemas comercializados de forma diferente. Vou exemplificar: um de torrefação de café que o cliente me forneceu a modelagem e definiu bando de dados e linguagem de programação. Fiz um orçamento que achei compensador e desenvolvi o sistema com o compromisso de não divulgar ou usar suas técnicas a outras empresas (o que respeito). Obs: tenho outro sistema de torrefação e não é nada parecido com o que o cliente em questão usa. (Pergunta do cliente que pediu exclusividade quando apresentei o outro sistema: “Como eles usam este sistema? Respondi: eles têm uma forma diferente de entender este negócio”).

Regis: Isso deve ser acordado com o cliente e deve constar no contrato de prestação de serviços. Na grande maioria das vezes, a propriedade é do programador e ele pode vender para quem ele quiser.

Nelson: Aí vai depender de como o sistema foi desenvolvido. Se eu desenvolvo o sistema em minha empresa, usando minhas ferramentas, meu PC, etc, não vejo problema em comercializá-lo com quem quer que seja. O sistema, apesar de atender às necessidades específicas de determinada empresa é meu, feito com ferramentas e investimento totalmente meus. Agora, se utilizo ferramentas e material do cliente, ou se programo dentro da empresa do mesmo, a coisa muda de figura. O sistema será dele, retirar qualquer coisa de lá será injusto para com o cliente.


AA: Atualmente, um recurso que o Desenvolvedor tem à sua disposição é a Internet. Por meio de um site é possível anunciar e vender seu sistema, fazer upgrades, estabelecer contato permanente com o cliente, fazer propaganda em sites de busca, enfim um canal formidável de comunicação com o público alvo. Sob o ponto de vista financeiro e de retorno ao investimento perguntamos até quando isso é verdade?

Angelo: O desenvolvimento e manutenção de forma remota são indispensáveis para o profissional de informática. Tanto a venda e a divulgação têm seu publico alvo, mas acredito que os clientes usam a rede para pesquisa de produtos de sua área estratégica. Mas não dispensam o contato direto.

Regis: No meu caso isso é 100% verdade, a cada dia que passa meu contato direto com o cliente se torna cada vez mais raro, praticamente tudo é resolvido por telefone e pela Internet.

Nelson: Eu tenho conseguido bons clientes com a NET, mas, mais por indicação de amigos do que com publicações na mesma. Mas sei que uma página, bem estruturada e com bom índice de acesso o retorno seria bem maior. Tanto é verdade que estou construindo a minha web page.


AA: Nesse ponto agradecemos à colaboração dos nossos entrevistados e abrimos espaço para uma mensagem aos nossos leitores.

Angelo: Acredito que os que leram estas respostas perceberam que não sou diferente, eu acredito, e estou aberto a aprender, o conhecimento vem de todos os lugares e a todo o momento, então nunca desista, nunca deixe de arriscar, tudo é possível. Nós, profissionais de informática, caímos na armadilha de acreditar que somos auto-suficientes, de se isolar do mundo. Eu digo, crie parcerias e amizades, viva a vida, goste das pessoas e seja feliz. Agradeço ao Portal Ativo Access por confiar que posso contribuir com o pouco que sei.

Regis: Quando estiver projetando um sistema, procure não se limitar à realidade de um só cliente, pesquise, converse com programadores mais experientes e acima de tudo ouça os usuários, eles são uma fonte valiosa de informações. Por mais experiente que seja um desenvolvedor, não dá pra pensar em tudo.

Nelson: Eu gostaria de agradecer ao Amaral por lembrar do meu nome para esta entrevista, e, abraçar meus companheiros moderadores do AtivoAccess: o Osmar, a Andréa, o Angelo, o Marcelo, o Douglas e tantos outros que seria impossível citar seus nomes aqui. Aos amigos leitores e usuários do AtivoAccess um grande abraço a todos e estejam sempre por aqui, não se acanhem em nos visitar lá no Fórum quando tiverem alguma dúvida. Um abraço a todos.

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