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Entrevistas

Luiz Cláudio Cosenza Vieira da Rocha (LC)
E-mail: luiz@mvps.org
Publicado:  01/10/2004
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O AtivoAccess (AA) entrevista desta vez o paulistano Luiz Cláudio C. V. Rocha, formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP) e que desenvolve sistemas gerenciais para comércio, indústria e serviços.
 
O AtivoAccess (AA) entrevista desta vez o paulistano Luiz Cláudio C. V. Rocha, formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP) e que desenvolve sistemas gerenciais para comércio, indústria e serviços. É Microsoft Certified Professional (MCP) e Most Valuable Professional (MVP). Realiza palestras e treinamentos sobre tecnologia MS-Office e MS-Visual Basic, é membro da comunidade BrDevelopers (SP), colunista da revista Fórum Access e do site MSDN Brasil.


AA) Fale-nos um pouco sobre o desenvolvedor Luiz Cláudio C. V. da Rocha, como é conhecido em nossa comunidade.
LC) Eu comecei, na verdade, como Administrador de Empresas, formado pela FGV/SP, em 1997. Nesta profissão, ainda nos tempos de estagiário, descobri que o único caminho para uma operação eficiente da empresa era o uso da tecnologia. A quantidade de trabalho “braçal” e repetitivo era simplesmente inaceitável, então comecei a pesquisar programas de computador e conhecer melhor suas funcionalidades.
Quando implantei as primeiras soluções, ainda na qualidade de “usuário avançado”, tive grande satisfação ao ver funcionários que passavam um fim de semana inteiro debruçados em formulários contínuos verde-brancos, com a calculadora em uma das mãos e a caneta na outra, começando a usar uma planilha eletrônica com filtros para fazer simulações de resultados, em poucos minutos.
A partir daí, por necessidade profissional, gosto pessoal e aptidão, aprofundei-me mais na área de tecnologia, e logo comecei a estudar programação, a fim de automatizar ainda mais os processos, mas sempre tendo por trás o objetivo de melhorar a administração das empresas.
Para mim, a informática não é um objetivo, mas sim um meio, uma ferramenta para se resolver outros problemas. Este é o principal ponto de discórdia que tenho com os defensores da reserva de mercado para os “informatas”, defendida por burocratas, sindicalistas e lobistas acadêmicos.


AA) Luiz, nós sabemos que você colabora com um site português. Como foi parar lá?
LC) Eu tenho grande interesse em grupos de discussão estrangeiros, para saber que tipo de dúvida as pessoas têm por lá, em que tipo de soluções a ferramenta é utilizada, quais as práticas, e, principalmente, conhecer o mercado de trabalho e o nível de conhecimento dos profissionais em outros países.
Desta forma, acabei chegando a um fórum português (o extinto JPTL, do meu amigo João Tito Livio). Como eu participava bastante deste fórum, o Tito me abriu espaço para publicar artigos, então comecei a colaborar.
Em abril de 2004, quando fui convidado a uma viagem para a Microsoft, em Redmond (WA), conheci pessoalmente o Tito Livio, que é o MVP Office de Portugal, e combinamos a criação de um site sobre MS-Access e MS-Office em língua portuguesa, o Portal Access PtBr: www.access.online.pt.


AA) Uma pergunta quase clássica: onde você arranja tempo para escrever tantos artigos, como por exemplo os que você publica na Revista Fórum Access, desenvolver sistemas e ainda cuidar da sua carreira de administrador de empresas?
LC) Para quem não tem horários fixos ou cartão de ponto, a administração do tempo passa a ser tão importante quanto a própria atividade profissional: se não for bem feita, terá conseqüências negativas imediatas no trabalho, no bolso e na vida pessoal (ou um pouco em cada).
Embora eu ainda tenha muito que aprender e evoluir, algumas práticas me ajudam:
-Tenho um quadro branco na minha sala, onde listo todas as atividades a serem concluídas no mês. Vou assinalando as que concluo, assim tenho uma noção geral dos prazos, ou seja, se hoje é dia 15, metade dos itens devem estar assinalados; se é dia 20, então 2/3 devem estar cumpridos, etc.
-Para as atividades do dia, costumo anotar num papel, logo de manhã, as tarefas que preciso cumprir, exemplo: “Ajustar aplicativo X”, “Visitar cliente Y”, “Orçar sistema Z”, “Concluir artigo FA”, etc.
Desta forma, mesmo que de maneira rudimentar, consigo ter sempre uma noção da minha agenda do mês e das minhas tarefas do dia. De vez em quando, faço também uma agenda semanal, no Outlook, mas na prática não tem funcionado muito bem, pois a quantidade de coisas que aparecem “de última hora” é muito grande.
Quanto à divisão entre artigos, palestras, participação nos fóruns, desenvolvimento de sistemas, carreira de Administrador, estudo, etc., considero tudo uma coisa só: trabalho. Embora eu seja remunerado pelos sistemas, treinamentos, palestras e alguns artigos, e não o seja pela participação nos grupos e pelo estudo, tudo isto faz parte do meu crescimento profissional, então considero trabalho.
Assim, meu tempo dedicado a trabalho é muito grande, logo preciso ter o cuidado de garantir também meu lazer, vida pessoal e família. A única forma que encontrei para isto foi a política do “sagrado”. Assim, é “sagrado” que quarta-feira à tarde eu vá tocar guitarra. É “sagrado” que ao menos um fim de semana por mês eu vá viajar com minha família. É “sagrado” que toda semana eu vá correr no clube. É “sagrado” que diariamente eu leia o Estadão (para não virar um alienado). Etc...
Por fim, eu evito desperdiçar tempo. Sempre escolho o que for mais rápido e mais prático, desde a minha opção de almoço até as compras de casa. Quando vou a algum lugar, sempre tenho comigo algum material (white paper, livro, documentação de clientes). Assim, no metrô, fila de banco ou sala de espera de reunião, aproveito para ler, fazer anotações, etc.


AA) Qual a sua opinião sobre o programa “Desenvolvedor 5 Estrelas” da Microsoft?
LC) Este programa é um tanto controvertido, mas eu, pessoalmente, gosto bastante. Os principais “opositores” reclamam que é básico demais, mas eu entendo que é justamente esta a sua finalidade: introduzir a Plataforma .NET a um público totalmente leigo no assunto, ou seja, ser uma porta de entrada.
Ele funciona assim: o usuário do MSDN se cadastra no programa, solicita o material (vídeo-aulas e textos) e faz as provas online. Conforme vai sendo aprovado, ganha as estrelas (até três). A quarta estrela ganha após conseguir uma certificação MCP, e a quinta após conseguir certificação MCAD ou MCSD.
Se tiver que fazer uma crítica ao programa, eu colocaria justamente a lacuna entre a terceira e a quarta estrelas: até a terceira, o programa foca o iniciante, ou até um pré-intermediário, enquanto a quarta estrela (que requer certificação) já pula para um profissional bem avançado. Poderiam focar também o público pós-intermediário/pré-avançado. Faltou isto.


AA)Quais as sugestões que você tem para quem está começando?
LC) Além da sugestão óbvia de seguir o material, o importante é que a pessoa pense na plataforma. É muito comum o desenvolvedor VB ir direto ao VB.Net, ou o desenvolvedor Delphi ir direto ao C#, mas, antes disto, é importante conhecer o .NET Framework e os conceitos que estão por trás. A linguagem de programação é apenas uma parcela do que deve ser aprendido. Esta visão tem que estar clara antes de começar.


AA) Como você analisa as alterações sofridas pela revista Fórum Access?
LC) O mercado de revistas de informática não é fácil. Basta ver o passado recentíssimo, quando algumas publicações entraram com a corda toda, paparicadas, cantando vantagens sobre as “velhas de guerra”, e não duraram nem seis meses, deixando os assinantes a ver navios.
A Fórum Access tem uma ótima posição neste mercado porque tem todo um histórico, muita experiência e não dá passo maior que a perna.
Eu gostei das recentes alterações na revista, pois ela foi além do conteúdo técnico, passando a abordar também temas ligados ao desenvolvedor, como o mercado de trabalho.
Agora no final de 2004, novas mudanças devem ocorrer, sobretudo no visual. Estou otimista e ansioso para ver o resultado, mais um fruto do ótimo trabalho do Jacques Zetune na editoria.


AA) Como a sua participação no GD da Fórum Access contribuiu para o seu crescimento?
LC) Sem dúvida alguma foi decisiva. Lembro quando me cadastrei, ainda na época que rodava na estrutura do Network54, e eu ainda engatinhava na ferramenta. Aprendi com a ajuda dos outros colegas, e em pouco tempo eu já estava colaborando com as respostas.
Eu tinha tantas postagens no grupo de discussão que, certa vez (há alguns anos), fui convidado a uma reunião lá na Fórum Access, quando pude conhecer a empresa e as pessoas que lá trabalhavam, além de outros colaboradores.
Por meio da minha participação no Fórum Access, fui chamado para desenvolver projetos, palestras, treinamentos, etc., e certamente deve ter pesado na minha nomeação a MVP.


AA) Como você se tornou um MVP e um MCP? Quais os próximos degraus que você pretende galgar?
LC) As siglas são parecidas, mas os títulos são bem diferentes.
O MCP (Microsoft Certified Professional) é o título que se obtém ao ser aprovado numa das provas oficiais de especialização (veja aqui mais detalhes: http://www.microsoft.com/brasil/certifique/certificacao/cert.asp). É um trabalho solitário de muito estudo e experiência prática, pois as provas não são fáceis.
Em termos de certificação, meus próximos passos serão o MCAD e o MCSD em .NET, não pelos títulos em si, mas como plano de estudo.

O MVP (Most Valuable Professional), ao contrário, não resulta de prova, mas sim de uma indicação feita pelos seus pares. É um trabalho comunitário, com participação nos grupos, artigos, etc. Eu não sei exatamente como e a partir de quem surgiu minha nomeação, sei apenas que foi fruto das centenas de horas de dedicação nos fóruns, nos artigos, nos eventos, nas palestras, etc. Aí, um belo dia chegou em casa uma caixa com um diploma MVP, uma mochila de brinde e um contrato de sigilo.
O programa MVP tem diversos benefícios, como licenças de software, participação nos eventos e, o melhor de todos, participar do MVP Global Summit, lá na Microsoft, com os MVPs do mundo inteiro, equipes de desenvolvimento da Microsoft (pude conversar, por exemplo, com os desenvolvedores do Access) e executivos da MS.
Pude conhecer, também, os outros MVPs do Brasil, todas pessoas muito legais, como o Wallace dos Santos, Fabio Vasquez, Claudenir Andrade, os companheiros de viagem Carlos de Mattos, Francisco Baddini e Fabio Hara, o nosso estimado Renato Haddad, e todos os outros, sem exceção.


AA) Quais as dicas que você pode recomendar para quem pretende obter uma certificação, qualquer que seja a certificação?
LC) A primeira coisa é se perguntar para que quer a certificação. Se é só para constar do currículo, ou se é para servir como meta de estudo.
Não há mal nenhum que seja só para constar do currículo, eu mesmo tive isto como primeiro incentivo, afinal é um diferencial interessante. Depois, estudando para a prova, acabei aprendendo muitas coisas, que nem imaginava existirem no Visual Basic, descobri que eu não era tão avançado quanto supunha ser.
Acho que a boa dica mesmo seria fazer um planejamento de médio ou longo prazo. Pegue o conteúdo inteiro e vá estudando cada parte, aos poucos. Faça sempre simulados, como se fossem a própria prova, para se auto-avaliar e não ser surpreendido no dia do exame. E não tenha medo: se for reprovado, é só fazer de novo. O prejuízo será financeiro (a prova custa caro), mas o ganho profissional com o estudo permanece.
Existem alguns atalhos, os chamados “brain dumpies”, material que tem questões parecidas com as das provas. Muita gente fica decorando as respostas para tentar a sorte na prova, mas eu não acredito muito neste método. Gasta-se muito tempo sem produzir nada. O ideal seria usar o mesmo tempo aprendendo e, no máximo, usar este tipo de material como simulado. O importante é entender o porquê das respostas, e não simplesmente decorá-las.


AA) Hoje, temos um mercado de desenvolvimento de sistemas em ascensão e recebendo novos desenvolvedores. Você tem alguma recomendação especial para esses desenvolvedores?
LC) Que pensem bem antes de começar! Não que o mundo ou o mercado seja o “bicho papão” que se apregoa por aí, mas sim que a pessoa analise o seu próprio perfil.
Quem trabalha com tecnologia tem que gostar de estudar, de testar, de quebrar a cabeça, de ter que reaprender tudo, de se atualizar e de prever.
Trata-se da área de conhecimento mais dinâmica que existe, em constante evolução e seguidas revoluções. Não é algo que se aprenda uma única vez para depois “ir mantendo”; é necessário sempre ler livros novos, acompanhar os artigos, as novidades, as boas práticas (que ficam ruins do dia para a noite), etc.
Tem muita gente que vê filmes de hackers, ou lê besteiras em revistas, e passa a achar que vive no “mundo encantado de Você S/A”. Compra então um guia prático de programação e já sai fazendo propostas comerciais por aí. De repente, descobre que “não era bem assim”, e logo vira um pedinte desesperado de grupos de discussão.
Apenas para evitar mal-entendidos, vou diferenciar o usuário de grupo de discussões do pedinte: o usuário quer aprender a fazer, o pedinte quer mastigado. O usuário sabe o que quer, o pedinte quer que os outros saibam. O usuário quer enfrentar o problema, o pedinte quer se livrar dele.
Não que seja menos inteligente ou competente, apenas não tem o perfil para este tipo de atividade.
Portanto, se você não é uma pessoa que gosta de estudar MUITO, pense duas vezes antes de trabalhar com programação/desenvolvimento. Quem sabe pode começar se especializando em produtos já prontos, para só depois pensar em desenvolver seus próprios programas?


AA) Deixamos espaço para você concluir ao mesmo tempo em que agradecemos a sua participação.
LC) Eu gostaria de agradecer aqui a todos que me abriram portas nos últimos anos, como os colegas MVPs e, sobretudo, a equipe da FórumAccess, que depositou grande confiança em mim (Alessandro Almeida/Marco Juliani/Jacques Zetune/Daniel Burd).
Agradeço, principalmente, a todos os membros da comunidade Access no Brasil (GDIs, listas de discussão, eventos, etc.), que são as pessoas que me incentivam e tornam meu trabalho agradável.

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